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O mito de Lilith
O mito de
Lilith tem origens longínquas que se situam na velha Babilônia, onde os
antigos semitas adotaram as crenças de seus predecessores, os sumérios, e
está ligada aos grandes mitos da criação. Embora existam muitas contradições
e enigmas a respeito do mito, Lilith sempre aparece como uma força que se
contrapõe à bondade de Deus.
No Zohar, o mais influente texto hassídico, século XIII,
Deus criou Adão macho e fêmea, depois cortou-o ao meio e chamou a esta nova
metade Lilith. Oferecida em casamento a Adão, Lilith recusou se tornar
desigual e fugiu para ir ter com o Diabo. Deus tomou uma costela de Adão e
criou Eva, mulher submissa, dócil e inferior perante o homem.
Segundo as versões aramaica e hebraica do Alfabeto de Ben
Sirá, século VII, todas as vezes em que Lilith e Adão faziam sexo, ela se
mostrava inconformada em ter de ficar por baixo dele, suportando o peso de
seu corpo. Mas Adão se recusava a inverter as posições e Lilith, revoltada,
pronuncia nervosamente o nome de Deus, faz acusações ao companheiro e vai
embora, rumo ao Mar Vermelho, onde habitavam os demônios e espíritos
malignos.
Apagada da Bíblia Cristã, apesar do livro do Gênesis trazer
uma passagem que sugere que o ser humano teria sido criado “homem e mulher”,
Lilith permanece como símbolo de rebelião à repressão do feminino na psique e
na sociedade. Identificada como um demônio que incita a luxúria, Lilith
domina a noite com sua sensualidade destrutiva e descontrolada, seduz e
enlouquece os homens, rouba as crianças e traz a perdição. Ela também foi
relacionada com o Espírito do Vento,
o mais repugnante e monstruoso dos demônios sumério-acadianos. Nas antigas
esculturas e gravações em pedra surge uma mulher corpulenta, de seios fartos e
boca sensual, cuja energia agressiva tem uma profunda vibração. As pernas
femininas são patas de animais com garras de abutre e seus cabelos se
transformam em serpentes. De expressão sorridente e provocativa, Lilith
apresenta asas. Ao seu lado, estão as figuras lunares de dois cães e duas
corujas.
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O Mito de Eco e Narciso
Na
mitologia greco-romana, Eco era uma bela ninfa dos bosques e das fontes e que
tinha um defeito: falava demais. Além de tagarela, gostava de ter sempre a
última palavra numa discussão. Foi assim que ela despertou a ira de Hera,
esposa de Zeus, ao tentar distraí-la com sua conversa fiada para que a rainha
dos deuses não desconfiasse de que o marido a traía com outras ninfas. Hera
descobriu a trama e resolveu castigar Eco: lançou-lhe uma maldição que a
impedia de ser a primeira a falar, poderia somente repetir as últimas
palavras que ouvisse.
Um dia,
num de seus passeios, acompanhando Diana, deusa da caça, Eco encontrou
Narciso, filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope, um jovem de
deslumbrante beleza porém insensível ao amor. Apaixonada, Eco desejou
declarar-se a Narciso, mas, graças ao castigo de Hera, isso não era possível.
Só lhe restava, então, esperar que o rapaz lhe falasse. Ecoando as palavras
de Narciso Eco foi desdenhada e repelida pelo petulante rapaz. Narciso fugiu,
e a ninfa, envergonhada, correu para se esconder no recesso dos bosques.
Daquele dia em diante, passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das
montanhas.
As
demais ninfas, revoltadas, clamaram por vingança e foram atendidas pela deusa
Nêmesis. Certo dia, durante uma caçada, Narciso se debruçou sobre uma fonte
clara, cuja água parecia de prata; e ao contemplar a superfície da água
apaixonou-se pelo próprio reflexo. Indiferente a tudo, o moço não mais saiu
dali e nem mesmo conseguia tirar os olhos de sua imagem. Assim, pouco a
pouco, foi perdendo as cores, o vigor e a beleza que tanto encantaram Eco.
Esta se mantinha perto dele, contudo, e, quando Narciso gritava: "Ai,
ai", ela respondia com as mesmas palavras. O jovem, depauperado, morreu.
No lugar de seu corpo foi encontrada uma flor de miolo amarelo e pétalas
brancas.
Eco,
por sua vez, definhou até que as carnes de seu corpo desapareceram
inteiramente. Os ossos transformaram-se em rochedo e nada mais dela restou
além da voz. E, assim, imaginando ouvir a voz de Narciso, ela ainda continua
a responder a quem quer que a chame e conserva o velho hábito de dizer a última
palavra.
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A
Física Quântica
Até
o início do século XX, a visão de mundo baseava-se no modelo mecanicista
newtoniano do universo, o qual perdurou por mais de 300 anos e impregnou profundamente
nosso modo de perceber a realidade. Essa visão mecanicista implicava num
determinismo rigoroso. Tudo possuía uma causa definida que gerava um efeito –
o princípio da causalidade. A base filosófica desse determinismo provinha da
divisão entre o eu e o mundo introduzida por Descartes, no século XVII.
Influenciando todo o modo de pensar ocidental, a filosofia de Descartes, seu
“penso, logo existo”, levou à separação mente/corpo e à tendência do homem a
valorizar o intelecto e a objetividade.
Em 1905, Albert Einstein publicou dois artigos que deram início
a rupturas conceituais revolucionárias. Um deles foi a teoria especial da
relatividade. O outro era o embrião da futura física quântica, desenvolvida
20 anos mais tarde. Ambos os desenvolvimentos esfacelaram os conceitos
básicos da visão newtoniana do mundo. Assim teve início a Física Moderna. O
homem entrava em contato, pela primeira vez, com o estranho e inesperado
mundo subatômico.
A Física Quântica descreve as propriedades
dinâmicas das partículas subatômicas e sua interação com a radiação. Foi
desenvolvida para tentarmos explicar a natureza a partir de constituintes
básicos da matéria, os átomos e seus componentes ainda menores. Esse
microcosmo descreve as interações e o funcionamento interno de
tudo o que vemos e ao menos fisicamente somos. Quando aplicamos conceitos
quânticos à natureza do ser humano, uma verdadeira revolução na nossa maneira
de nos percebermos – e ao mundo – é exigida. Se considerarmos que tanto a mente como a matéria possuem uma origem
quântica comum, nossos pensamentos (inclusive os inconscientes) e
relacionamentos poderiam ser, em alguns casos, explicados pelas mesmas leis e
padrões de comportamento que governam o mundo quântico. A física
quântica pede que modifiquemos nossas noções de tempo e espaço, de causa e
efeito, de verdade e realidade fixas. A totalidade do Universo aparece como
uma teia dinâmica de padrões inseparáveis de energia, privilegiando as
relações e o movimento. Uma espécie
de jogo dinâmico entre o intrapsíquico e o interpessoal.
A especulação de que a consciência seria um
fenômeno quântico tem sido
seriamente considerada por vários pesquisadores nos últimos anos. Nossos padrões de pensamento e
relacionamento com nós mesmos, com os outros e com o ambiente poderiam ser
explicados pelas mesmas leis que governam os prótons e elétrons. Uma visão
física da consciência vem propor que o funcionamento do cérebro humano e a
percepção que temos do mundo tira suas leis da natureza quântica. E mais: que
esta consciência se estende a todos os seres vivos e a todo tipo de matéria
existente no universo.
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Barulhentas Sentinelas da Arte
(Rômulo
Zanotto, RJ, abril 2006)
Andando de segunda à sexta pela altura do número 141 da rua
da Bambina, em Botafogo, por volta das oito horas da noite destes meses de
março e abril de 2006, encontrei comigo mesmo escondido atrás de outros
nomes, outras idéias, outras histórias.
Lá estava Jeremias. O artista que se auto-aprisiona em sua
casa – provavelmente uma metáfora dos labirintos de sua imaginação – tentando
encontrar uma resposta para o sentimento de angústia e imperfeição que o
invade. Sonhando o sonho inútil de todos os mortais. Sonhando com um filho ou
uma obra. Com alguma coisa que o faça permanecer por gerações, como a casa. O
profeta – quem disse? – incapaz de fazer o que deve ser feito: profetizar.
Lá estava o Mordomo. Um que não serve, mas ordena. Um que
granjeia os favores do amo somente na medida necessária para organizar a
rebelião às suas costas.
E lá estava Elise. A resposta que não soube ser lida. A
criação da criatura. O criador da criação. O de fora que invade o de dentro.
A mãe da obra. A mãe do filho que viria mas não veio, porque nada pode crescer
num ventre morto. A casa é podre. E podre é a qualidade do que está morto. E
morto está o que não vinga.
Assim estamos nós – Rômulo, Camila, Dirceu – aprisionados
com eles e como eles naquela casa – metáfora batida para “os labirintos da
nossa imaginação”??? – em busca da resposta de Jeremias que é também a nossa
resposta. Elise virá?
Assim somos nós, brincando perigosamente com o inconsciente
coletivo que nos ronda. Com as memórias doentes de um certo Djalma. Com as
memórias sadias(?) de nós mesmos. Com as memórias suicidas de Ariclê – tão
íntima! Dando vazão a manifestações irascíveis da psique. Dominando a vontade
de quebrar tudo, desafinados como aquele piano abandonado no canto desde...
Desde quando, meu Deus? De uma noite chuvosa do outono de 1886?
A casa, a moldura antiga que está sendo colocada numa tela
vazia, agora não mais. O artista, o eterno profeta que se jura tocado na boca
pelas mãos de Deus. O pretensioso porta-voz das nações que só consegue falar
às estrelas. Gente que fica afastado da cidade, das pessoas, da vida lá fora.
Que passa muito tempo dentro de sua própria casa e acaba ficando parecido com
ela, pintando existências, devaneios, emoções.
Minha revolução solar para 2006 previa que eu poderia me
tornar um “mensageiro de Deus”. E eu, pretensioso que sou, artista que me
acredito, não duvidei. Tudo bobagem. Agora, leio meu texto e o que é meu
personagem? O idiota do artista que se acredita mensageiro de Deus. Seria
mais uma vez vida confundida com arte? Será que os astros também não sabem
diferenciar aquilo que eu sou daquilo que eu represento? Será que eu também
ficarei louco? Será que é tudo bobagem, meu Deus? Meu Deus?
Silêncio.
Ninguém responde.
Câmbio final.
Cai o pano.
Fim.
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O Tarot
O Tarot é um oráculo que se
compõe de 78 cartas, que, em sua estrutura atual, conhecida desde o século
XVI, é dividido em dois grupos principais: um de 22 cartas, os Arcanos
Maiores, e outro de 56 cartas, os Arcanos Menores. Em latim, arkanum
significa mistério.
Enquanto os
Arcanos Menores indicam simplesmente um tema, Os Arcanos Maiores são ritos de
passagem, constituem processos dinâmicos que conduzem a estágios de
consciência mais elevados. Eles contam uma história simbólica, uma parábola
para o caminho de vida do ser humano: o nosso herói. A viagem do herói é a
história mais antiga do mundo. Ela é a estrutura essencial dos mitos, contos
de fadas e lendas que nos contam como uma pessoa se põe a caminho para
realizar a grande obra. Muitos etnólogos, psicólogos, filósofos e sociólogos
estudaram o tesouro que se esconde nos nossos mitos e contos de fadas, entre
eles, Carl Gustav Jung, que afirmou existir, no âmbito espiritual, algo comum
que é próprio a todo homem, imagens primordiais da alma humana denominadas
arquétipos. A história contada pelo Tarot transmite uma verdade arquetípica
que tem raízes no inconsciente coletivo profundo e remonta aos primórdios da
conscientização humana, ela fala sobre a aventura em busca do bem de difícil
alcance, a partir de uma perda ou de uma incumbência que o herói tem de
realizar. Pondo-se a caminho, o herói encontra orientadores e adversários,
consegue um encantamento mágico, enfrenta e vence o inimigo, não raro sendo
ferido, e finalmente, consegue obter o que procurava, retornando ao lar.
Os Arcanos Maiores começam com a carta zero (0), O LOUCO,
que simboliza a fonte espiritual primitiva, representa
a ingenuidade e desprendimento, características das almas inexperientes ou
muito jovens. O Louco, em sua viagem, irá passar pelas etapas de aprendizagem
retratadas nas outras cartas dos Arcanos Maiores.
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Encontramos as experiências fundamentais da infância nas
cinco primeiras cartas – nossos pais interiores do espírito e da imaginação
no MAGO (I) e na SACERDOTISA (II), os pais terrenos na IMPERATRIZ (III) e no
IMPERADOR (IV), os ensinamentos e a espiritualidade no HIEROFANTE (V).
Reconhecemos os conflitos e as paixões adolescentes nas cartas dos ENAMORADOS
(VI) e tomados de coragem saímos a percorrer o mundo no CARRO (VII).
Seguindo, iremos nos encontrar com os tribunais da vida e responder por
aquilo que fizemos na carta da JUSTIÇA (VIII), para então amadurecer e
encontrar nossa luz interior no EREMITA (IX). Deparamo-nos com o destino e as
súbitas mudanças da vida na RODA DA FORTUNA (X), e buscamos superar nossos
impulsos e instintos através da FORÇA (XI). Então mergulhamos em uma profunda
crise no ENFORCADO (XII), para sairmos transformados pela MORTE (XIII) e
encontrarmos o equilíbrio perfeito na TEMPERANÇA (XIV). Mas as provas mais
difíceis da jornada ainda estão por vir. Experimentamos as tentações do poder
e dos desejos mundanos no DIABO (XV) e na TORRE (XVI) somos atingidos por um
raio divino que destrói nossas ilusões. Desamparados, acabamos compreendendo,
porém, que nossa alma foi libertada, e encontramos esperanças, vislumbrando o
futuro, na ESTRELA (XVII). Chega o momento em que devemos enfrentar a última
e mais complexa prova do caminho, passando pelas armadilhas inconscientes da
LUA (XVIII). Até que, finalmente, a luz vence a escuridão com a chegada do
SOL (XIX), para nos reconciliamos com a vida no JULGAMENTO (XX) e
encontrarmos a totalidade no MUNDO (XXI).
Ao chegar no Mundo, o Louco já não é mais uma criança pura
e inocente, mas uma pessoa madura e consciente de si e do ambiente que o
cerca. O Mundo fecha um ciclo, resolve uma questão ou uma dúvida, cumpre-se
uma etapa. Mas novas outras situações vão se instalar, e o Louco vai
reaparecer, dando início a mais uma viagem pelos fascinantes mistérios da
alma.
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Sobre Eres Kigal
A origem de Eres
Kigal é uma incógnita. Segundo relatos ele seria filho de uma turista
espanhola que o teria esquecido em uma feira em Kalimpong,
região oriental da Índia, em junho de 1981. Tinha, na época, cerca de
sete meses. Foi adotado por um índio norte-americano, exilado naquelas
terras, e que vivia em grutas aos pés do Himalaia.
Desde cedo apresentou problemas
de ordem psíquica-mental-emocional. Desenvolvendo, em contrapartida, a habilidade
para as artes plásticas. Seu pai aborígine, que, naturalmente, seria seu
único defensor, nunca compreendeu as suas invenções.
Eres Kigal costumava vender
esculturas, pinturas e objetos estranhos em vilarejos próximos, em troca de
comida e belas canções. Até ser descoberto por entusiasmados críticos de arte
irlandeses, de passagem pelo país, que classificaram seu trabalho como um
“verdadeiro milagre”. Na companhia dos irlandeses Eres Kigal excursionou
pelos cinco continentes. Infelizmente nenhuma exposição foi realizada, pois
os irlandeses disseram que estavam “preparando o terreno”. Esta incrível
jornada, porém, trouxe a Eres Kigal um entendimento, sem precedentes, de
todas as línguas do planeta. Apesar de continuar falando apenas – e muito mal
– o inglês. O importante é que hoje Eres Kigal tem 57 exposições agendadas
até 2021 em lugares inusitados de todo o mundo. O Rio de Janeiro é o primeiro
deles.
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About Eres Kigal
The origin of Eres Kigal remains a mystery.
Imaginative people tell he is the cursed son of a spanish tourist witch that
got rid of him in a free market in Kalimpong,
East India, june 1981. He was about nine months and cried all day long until
a north-american cannibal, that came to India by swimming, beat his mouth and
carried him to a crypt inside Himalaya.
Since the early ages Eres Kigal was insane, cretin
and silly. That’s why the cannibal didn’t eat him, afraid of become the same.
And the boy, without a better pastime, developed hand habilities, breaking
rocks with the head and making then bizarre sculptures. His native father
never understood this behavior.
Eres Kigal used to sell his mad creations to
unwarned people, trading fast-food and trash songs. One day he dashed against
a gay irish couple that told him they were famous producers and would take
him to Hollywood. Eres Kigal accepted immediately because he really loves
fast-food. Unfortunately the irish gay men were telling the truth and Eres
Kigal had to act in thirty one movies, always playing a mindless guy. During
the breaks he began to sell his pieces of art to the cast. Everybody
stimulated him to go ahead. And then he decided to scape from fame and sell
his work in Rio de Janeiro beaches.
The Transcendence Theatre is proud to present the
amazing universe of Eres Kigal. We know the world is not prepared to him. He
came before his time. When he pass away his art will be one of the most
significative, expensive and wanted assets in history.
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O Mito de Cronos-Saturno
Na mitologia grega, Cronos – equivalente ao deus romano
Saturno – era um dos sete Titãs, o segundo filho de Urano, o Pai Céu e Gaia,
a Mãe Terra. Quando Urano se tornou tirânico Gaia persuadiu Cronos a derrubar
o pai e tomar o seu lugar como rei dos deuses. Assim, Cronos castrou Urano
com uma foice e casou-se com sua irmã, Réia. Porém, como o pai, Cronos se
tornou um déspota e passou a
acreditar que seus filhos iriam destroná-lo. Logo que Réia dava à luz,
Cronos engolia os recém nascidos, consumindo a própria descendência.
Primeiro
Héstia, depois Deméter, Hera, Hades e Poseidon foram engolidos por Cronos.
Quando Zeus nasceu, porém, Réia embrulhou uma pedra e entregou a Cronos, que
a devorou avidamente pensando ser o menino. Dessa maneira Zeus foi mantido a
salvo e quando cresceu voltou ao Olimpo para confrontar o pai. Zeus deu uma
poção a Cronos, que o fez vomitar todos os filhos aprisionados. Lutando
contra Cronos e os outros Titãs, Zeus e seus irmãos venceram após dez anos de
guerra e tornaram-se os novos deuses olímpicos. Cronos e os Titãs foram
banidos para a região sombria e distante do Tártaro.
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A natureza do Zen
O Zen
foi introduzido na China por Bodhidharma no ano 527 d.C. Praticamente nada é
conhecido de sua história na Índia, e é provável que seu iniciador somente o
tenha sugerido aos chineses e que estes o tenham desenvolvido até
conferir-lhe sua forma atual. Historicamente, o Zen pode ser considerado como
o produto final de longas tradições nas culturas indiana e chinesa, embora,
atualmente, seja muito mais chinês do que indiano e, desde o século XII,
tenha se enraizado profundamente e de modo extremamente criativo no Japão.
O Zen desafia todas as designações. Não se trata de religião, seita
ou filosofia. Não há no Zen livros sagrados ou assertivas dogmáticas nem
qualquer fórmula simbólica que dê acesso à sua significação. O Zen está livre
de todos os entraves dogmáticos, religiosos e filosóficos. A idéia essencial
do Zen é permitir ao homem entrar em contato com seu ser da maneira mais
direta possível. Nesse sentido, aproxima-se de uma técnica voltada à
introspecção espiritual.
O Zen ensina sem ensinar no sentido convencional. Não se trata de
uma disciplina didática, com tom professoral. Ele pode ensinar através do
silêncio, de uma não-resposta ou de um recurso totalmente imprevisível. As respostas imprevisíveis, e muitas vezes até
mesmo sem sentido por parte dos Mestres, chocavam os discípulos e os levavam
a refletir sobre o estado em que se encontravam.
Através deste choque a mente podia ser aquietada, interrompendo o fluxo de pensamentos
descontrolados.
Eis algumas frases que ilustram o espírito do Zen:
Observai
a pá nas minhas mãos vazias.
Enquanto
montado num touro vou andando a pé.
Quando passo
sobre a ponte não é a água que corre, e sim a ponte.
Nada pode ser mais ilógico e contrário ao senso comum do que estas
linhas. O Zen, no entanto, nada tem de confuso ou absurdo. O que nele parece
às vezes não fazer sentido são apenas estratégias para mostrar que a razão
pela qual não podemos alcançar uma completa compreensão da verdade é a nossa
irracional adesão a uma interpretação lógica das coisas. Se realmente
quisermos atingir o âmago da vida, teremos que abandonar nossos silogismos e
escapar à tirania do raciocínio dedutivo.
Por mais que possa parecer paradoxal, o Zen insiste em que devemos
manter a pá nas nossas mãos vazias e em que não é a água, mas sim a ponte,
que flui sob nossos pés. Ao desvincular-se da tirania da lógica, o homem
alcança uma maior emancipação de espírito, liberta-se de condicionamentos
impostos durante toda a sua existência. O Zen mostra que temos que conquistar
um novo ponto de vista que nos permita compreender a vida espiritualmente, ou
seja, tendo sempre em vista que ela é regida pelo mistério.
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